Construção civil padroniza planos de carreira e moderniza funções na região de Campinas
Programa “Trilhas Profissionais da Construção” cria sete níveis de evolução e substitui nomenclaturas tradicionais como servente e pedreiro por assistente de produção.

O setor da construção civil na região de Campinas deu um passo inédito para modernizar a gestão de recursos humanos e enfrentar o gargalo histórico de escassez de mão de obra qualificada. O programa “Trilhas Profissionais da Construção”, lançado em evento no Senai Roberto Mange, em Campinas, padroniza planos de carreira, define critérios de ascensão salarial e atualiza as nomenclaturas tradicionais do canteiro de obras.
A iniciativa foi formulada em conjunto pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Fiesp, Senai-SP e entidades representativas dos trabalhadores (Sintracon-SP e Feticom). O projeto organiza as profissões em sete linhas de atuação técnica e sete níveis de evolução profissional, permitindo que os trabalhadores tenham um caminho previsível de crescimento profissional.
Atualização da CBO e valorização profissional
Um dos eixos centrais do modelo é a substituição de denominações tradicionais por termos alinhados às competências técnicas da indústria moderna. Funções historicamente identificadas como “servente” e “pedreiro” passarão a ser designadas como Assistente de Produção e Oficial de Produção. O SindusCon-SP já atua junto ao Ministério do Trabalho para incorporar as novas titulações na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).

Para o diretor da Regional Campinas do SindusCon-SP, Marcio Benvenutti, a padronização reflete o processo de industrialização que o setor atravessa. “O programa unifica as competências de norte a sul do país. Com critérios claros de avaliação e certificação, o trabalhador é incentivado a se capacitar e tem a oportunidade de alcançar melhor remuneração”, explicou.
Capacitação dentro dos canteiros e remuneração
Segundo levantamentos do setor, a construção civil já oferece salários de entrada no mercado formal em torno de R$ 2,4 mil, com possibilidade de alcançar remunerações entre R$ 15 mil e R$ 20 mil nos cargos de mestre de obras. A principal barreira para reter talentos, contudo, residia na ausência de uma trajetória estruturada.
A diretora da unidade do Senai-SP, Camila Pimenta, ressaltou que os treinamentos serão realizados preferencialmente nos próprios canteiros de obras das construtoras, destinando duas horas semanais da jornada de trabalho dos operários para as aulas. “Muitos profissionais aprenderam a função de forma empírica. Levar essa formação técnica estruturada para o ambiente de trabalho é uma responsabilidade compartilhada”, afirmou.
Projeto-piloto com 30 empresas
A implementação ocorrerá inicialmente por meio de um projeto-piloto de 12 meses, envolvendo dez construtoras e 20 empreiteiras no Estado. Após essa etapa de validação, a metodologia será proposta para inclusão nas convenções coletivas de trabalho e levada à Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para expansão em escala nacional.
(Fonte: SindusCon-SP / Roncon & Graça Comunicação)
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