Apoio de Cafu a Willian de Sumaré divide grupo de Zezé Gomes e antecipa sucessão em Hortolândia
A campanha eleitoral de 2026 começa a descortinar movimentos estratégicos que ultrapassam a disputa pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Em Hortolândia, o prefeito Zezé Gomes e o vice-prefeito Cafu César estarão em palanques diferentes para deputado estadual: enquanto Zezé apoia a reeleição da deputada da cidade, Ana Perugini (PT), Cafu decidiu marchar com Willian Souza (PT), de Sumaré, em um movimento que evidencia fissuras internas e antecipa o xadrez da sucessão municipal de 2028.

A campanha eleitoral de 2026 começa a descortinar movimentos estratégicos que ultrapassam a disputa pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Em Hortolândia, o prefeito Zezé Gomes e o vice-prefeito Cafu César estarão em palanques diferentes para deputado estadual: enquanto Zezé apoia a reeleição da deputada da cidade, Ana Perugini (PT), Cafu decidiu marchar com Willian Souza (PT), de Sumaré, em um movimento que evidencia fissuras internas e antecipa o xadrez da sucessão municipal de 2028.
A escolha não configura uma ruptura administrativa imediata entre prefeito e vice, tampouco desestabiliza a gestão cotidiana da cidade. No entanto, o alinhamento dificilmente pode ser reduzido a um mero arranjo regional, como sustentam interlocutores próximos. No plano político real, o gesto confirma que a coesão do grupo governista não é monolítica e coloca em campos opostos duas das figuras mais influentes que disputam a liderança política local.
Dois palanques do mesmo partido no comando da cidade
O dado mais instigante da conjuntura é que os dois candidatos apadrinhados pertencem à mesma legenda, o PT. Não se trata, portanto, da acomodação natural de partidos coligados, mas de uma cisão explícita de preferências dentro do mesmo ninho partidário.
Enquanto Zezé Gomes permanece fiel a Ana Perugini, garantindo o peso da máquina e a lealdade histórica ao mandato da deputada, Cafu César busca oxigenação e constrói pontes com a vizinha Sumaré ao abraçar o projeto de Willian Souza. Para Ana, a eleição é uma batalha de sobrevivência e afirmação de liderança em sua base; para Cafu, é a chance de demonstrar autonomia política e capacidade própria de articulação regional.
A herança do capital político de Angelo Perugini
Angelo Perugini foi o grande patriarca da política contemporânea de Hortolândia, governando o município por múltiplos mandatos até sua morte, em 2021. Após seu falecimento, o grupo permaneceu no poder sob o comando de Zezé Gomes, preservando grande parte dos quadros e da identidade construída nas décadas anteriores.
Contudo, a sucessão dessa herança simbólica e eleitoral permanece em disputa aberta. Ana Perugini traz consigo o sobrenome, a memória afetiva do eleitorado e uma sólida trajetória como vereadora, deputada federal e estadual. Do outro lado, Cafu César consolidou-se na política partidária do município, assumiu a Vice-Prefeitura e atua diretamente na engrenagem administrativa, projetando-se naturalmente como postulante legítimo à cadeira de prefeito.
Termômetro eleitoral: a medida da transferência de votos
As eleições proporcionais de 2026 funcionarão como um laboratório de testes rigoroso para aferir essas forças. Embora a dinâmica da corrida para deputado obedeça a variáveis diferentes de uma disputa majoritária, o desempenho das urnas em Hortolândia fornecerá uma radiografia incontestável.
Se Ana Perugini conquistar uma votação expressiva e consolidar sua primazia na cidade, chegará fortalecida às negociações de 2028. Já Cafu terá seu prestígio colocado à prova pela quantidade de votos que conseguir transferir para Willian Souza dentro de Hortolândia. Uma votação substancial para o candidato de Sumaré servirá como atestado de independência e músculo político próprio do vice-prefeito.
União administrativa no presente e disputa inevitável em 2028
Até a abertura oficial da próxima sucessão municipal, a necessidade de zelar pela estabilidade da administração e pelas entregas à população serve como cimento para manter Zezé, Cafu e Ana sob o mesmo teto institucional. Não há elementos para apontar um rompimento formal a curto prazo.
Entretanto, 2026 deixa explícito que o grupo comporta ambições distintas e projetos que já não cabem no mesmo palanque. Por enquanto, a divisão restringe-se ao apoio parlamentar. Em 2028, esse distanciamento promete se desdobrar na batalha definitiva pelo controle do principal grupo político de Hortolândia.
(Da Redação)
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