Vitória de Raquel Lyra em Pernambuco traz lições para gestores públicos, avalia João Cleto
Especialista em liderança de Sumaré destaca que presença digital sem entrega concreta não garante votos e aponta reflexões para as eleições municipais de 2028.
A vitória de Raquel Lyra (PSD) sobre João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco, nas eleições de 2026, abriu uma reflexão relevante para gestores públicos de todo o país: o acúmulo de milhões de seguidores nas redes sociais não assegura, de forma automática, a preferência majoritária nas urnas.
Mesmo diante de um adversário com expressiva projeção no ecossistema digital, Raquel Lyra consolidou a reeleição ainda no primeiro turno com 53,27% dos votos válidos, ante 44,82% de João Campos. Esse desfecho eleitoral evidencia que a comunicação nas redes, embora indispensável no cenário moderno, precisa estar alicerçada em resultados práticos, diálogo comunitário e presença territorial.
Seguidores não são sinônimo de votos. A liderança não se sustenta apenas em curtidas, visualizações ou retórica. Ela ganha consistência com presença física, escuta ativa, capacidade de entrega e, sobretudo, credibilidade. O pleito de Pernambuco deixa ensinamentos valiosos para quem exerce mandato ou função pública.
Gestão eficiente e comunicação de impacto
Um dos maiores entraves da administração pública contemporânea consiste em traduzir avanços burocráticos em benefícios nitidamente percebidos pela população. Obras de infraestrutura, reformas de unidades básicas de saúde e investimentos na educação demandam uma comunicação pedagógica que demonstre o ganho prático para as famílias.
Não basta unicamente executar uma administração técnica. É fundamental comunicar com transparência, responsabilidade e clareza. Uma melhoria não pode ser tratada apenas como estatística ou registro de inauguração; o cidadão precisa entender o impacto direto daquilo no seu cotidiano.
A comunicação governamental não pode ser confundida com autopromoção de mandatários. Seu objetivo primordial deve ser prestar contas, orientar os munícipes e aproximar o poder público das demandas dos bairros.
Presença comunitária e o horizonte de 2028
O resultado da disputa pernambucana reforça o peso da articulação política tradicional e da circulação pelos municípios. Enquanto o adversário concentrou esforços na linguagem rápida das redes, Raquel Lyra priorizou uma comunicação atrelada à rotina de governo e às viagens regionais.
As mídias digitais encurtam distâncias, mas não substituem o aperto de mão e a conversa presencial. O gestor necessita pisar o chão da cidade, ouvir as queixas e construir soluções com quem vive os problemas. Liderar não é apenas ser famoso, é ser reconhecido pela competência de transformar realidades.
Essa dinâmica de Pernambuco deve ser estudada com rigor por prefeitos, vereadores e lideranças que já miram a disputa eleitoral de 2028. Quem postergar a construção de sua imagem pública para o período de campanha chegará atrasado. A confiança popular decorre de um processo continuado de decisões sérias e compromissos cumpridos. Nenhuma técnica de marketing compensa a ausência de resultados práticos.
João Cleto é escritor, palestrante, especialista em liderança e gestão de equipes de alta performance e autor da obra “Liderança na Prática: Como se Tornar um Líder?”. É colunista do SPASSO Cidades.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a posição editorial do SPASSO Cidades.
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