Sumaré se prepara para avanço dos carros elétricos e híbridos plug-in
Câmara Municipal aprova política de incentivo à mobilidade sustentável para expandir rede de pontos de recarga em condomínios, comércio e áreas públicas.

A expansão dos veículos elétricos já começa a provocar mudanças não apenas na indústria automobilística, mas também na infraestrutura das cidades. Em Sumaré, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei nº 200/2026, de autoria do vereador Pereirinha (Cidadania), que institui a Política Municipal de Incentivo à Mobilidade Elétrica Sustentável e prevê ações para estimular a ampliação da infraestrutura de recarga para veículos elétricos e híbridos plug-in.
A proposta chega em um momento de transformação acelerada do mercado brasileiro. Nesta análise, entram justamente os veículos que dependem de recarga externa: os 100% elétricos, conhecidos como BEV, e os híbridos plug-in, ou PHEV. Estes últimos combinam motor a combustão com bateria que pode ser carregada na tomada, permitindo realizar parte dos deslocamentos utilizando somente eletricidade.
Mercado em alta e crescimento das montadoras
Em 2025, foram vendidos 181,5 mil veículos plug-in no Brasil, entre elétricos puros e híbridos recarregáveis, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Foram 101,3 mil PHEV e 80,1 mil elétricos puros. Juntos, representaram 81% de todos os eletrificados vendidos naquele ano.
Em 2026, o avanço continuou. Somente em abril, foram emplacados 30,7 mil veículos plug-in, equivalentes a 80% dos eletrificados comercializados naquele mês. Os elétricos puros cresceram 272% em relação a abril de 2025, enquanto os híbridos plug-in avançaram 67%. O desempenho mostra que a tecnologia deixou de ocupar apenas um pequeno nicho do mercado.
Boa parte dessa transformação veio acompanhada da entrada das fabricantes chinesas no Brasil. BYD e GWM passaram a disputar consumidores com montadoras tradicionais oferecendo principalmente elétricos e híbridos plug-in, enquanto outras marcas chinesas, como Omoda e Geely, também ampliaram sua presença. Em abril deste ano, quatro das 20 montadoras com maior participação no mercado brasileiro de veículos leves eletrificados eram BYD, GWM, Omoda e Geely.
A concorrência ajudou a ampliar a oferta de modelos e colocou pressão sobre preços e tecnologias oferecidas pelas fabricantes tradicionais. O consumidor brasileiro, que poucos anos atrás encontrava poucas opções elétricas nas concessionárias, passou a ter uma variedade muito maior de veículos, autonomias e faixas de preço.
Custos de utilização e infraestrutura urbana
Para quem compra, uma das principais vantagens está no custo de utilização. Rodar utilizando eletricidade pode representar uma despesa por quilômetro inferior à gasolina, especialmente para quem consegue carregar o automóvel em casa. Nos veículos totalmente elétricos, a manutenção também tende a ser simplificada pela ausência de componentes do motor a combustão. No híbrido plug-in, parte dessa manutenção permanece, já que os dois sistemas convivem no mesmo automóvel.
É justamente nesse ponto que entra a infraestrutura prevista pela proposta aprovada em Sumaré. Um veículo plug-in depende de locais adequados para recarga. Quanto maior a frota, maior será a necessidade de carregadores em residências, condomínios, empresas, estacionamentos, estabelecimentos comerciais e pontos de acesso público.
A rede brasileira já acompanha esse movimento. Em maio de 2026, o país possuía aproximadamente 25,4 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga, quase nove vezes a quantidade existente em 2022. Apesar do crescimento, a distribuição ainda é desigual e a ampliação da frota exigirá novos investimentos.
Para os híbridos plug-in, ter acesso à tomada é particularmente importante. Embora possam continuar rodando com combustível quando a bateria acaba, utilizar constantemente o motor a combustão reduz justamente uma das principais vantagens da tecnologia. Um PHEV utilizado predominantemente sem recarga perde parte de sua capacidade de economizar combustível e reduzir emissões.
Transição energética e planejamento municipal
A questão ambiental também ajuda a explicar a expansão. A ANEEL aponta os veículos elétricos como alternativa para redução das emissões de carbono e destaca sua maior eficiência energética. O benefício não significa impacto ambiental zero, já que fabricação e descarte de baterias também possuem custos ambientais, mas a substituição de parte do consumo de combustíveis fósseis pode reduzir emissões, principalmente durante o uso urbano.
Para Sumaré, o projeto de Pereirinha antecipa uma discussão que tende a se tornar cada vez mais comum nas cidades. Se os automóveis movidos a gasolina e etanol exigiram durante décadas uma extensa rede de postos, a eletrificação cria uma nova necessidade: uma rede capaz de fornecer energia aos veículos.
O crescimento das vendas mostra que essa transição já começou. Cabe agora aos municípios acompanhar a mudança para que a falta de infraestrutura não se transforme, no futuro, em obstáculo para uma tecnologia que ganha rapidamente espaço nas ruas brasileiras.
(Da Redação)
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