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Saúde ocular no esporte: especialista alerta para perigos de óculos sem UV e colírios por conta própria

Durante a prática de corrida, ciclismo ou esportes com raquete, a visão é essencial para o equilíbrio e reflexos rápidos. Oftalmologista alerta para os perigos de óculos sem proteção UV, ressecamento com lentes de contato e o uso indiscriminado de colírios clareadores.

4 min de leitura
Praticante de beach tennis com óculos esportivos de sol e raquete em quadra de areia

Visão e rendimento esportivo caminham juntos

Seja para começar o dia com energia, espairecer da rotina pesada de trabalho ou ganhar condicionamento físico, a prática regular de esportes tem conquistado cada vez mais adeptos em modalidades como corrida de rua, ciclismo e beach tennis. No entanto, na busca por bem-estar, a atenção dos atletas costuma se concentrar nos músculos, na respiração e no coração, deixando a saúde dos olhos em segundo plano.

Durante a prática física, os olhos são determinantes para perceber desníveis no solo, calcular distâncias, calibrar o equilíbrio corporal e reagir instantaneamente a imprevistos ao redor. Essa integração entre corpo e visão ganha destaque no calendário da Semana do Bem-Estar, promovida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e chancelada pelo Ministério da Saúde.

O oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho chama a atenção para hábitos cotidianos que parecem inofensivos, mas que colocam a integridade visual em risco durante o esforço físico.

“Quando falamos em esporte, pensamos logo em preparo muscular, hidratação e alimentação balanceada. A visão faz parte direta desse conjunto. Uma oscilação visual durante uma corrida rápida ou descida de bicicleta interfere na percepção de profundidade e na capacidade de evitar acidentes”, pontua o médico.

Óculos escuros sem proteção UV: risco silencioso

Um dos equívocos mais recorrentes é escolher óculos escuros baseando-se unicamente no quanto a lente escurece o campo de visão ou na estética da armação. Lentes escuras sem filtro comprovado contra raios ultravioleta (UVA e UVB) causam a dilatação natural da pupila, permitindo que uma quantidade ainda maior de radiação penetre nas estruturas internas do olho, acelerando doenças na retina e o desenvolvimento precoce de catarata.

Para quem necessita de correção refrativa (grau para miopia, astigmatismo ou hipermetropia), a recomendação é investir em armações esportivas envolventes, leves e com materiais resistentes a impacto, que não escorreguem com o suor nem apertem a região temporal da cabeça.

Lentes de contato exigem atenção redobrada ao ar livre

Em treinos ao ar livre, a combinação entre vento constante, poeira, baixa umidade do ar e luminosidade intensa acelera a evaporação da lágrima. Para quem utiliza lentes de contato, o ressecamento pode gerar atrito excessivo na córnea.

Sintomas frequentes como ardência, vermelhidão, sensação de "areia nos olhos" ou visão temporariamente embaçada não devem ser normalizados como mero efeito colateral do treino. Caso o desconforto persista após o exercício, é imprescindível passar por consulta oftalmológica para avaliar se o material da lente e os parâmetros de curvatura continuam adequados à rotina atlética.

Desidratação reflete na superfície dos olhos

A hidratação adequada é foco unânime entre corredores e ciclistas para evitar cãibras e exaustão, mas poucos sabem que a falta de água no organismo afeta diretamente a espessura e a qualidade do filme lacrimal. A desidratação sistêmica reduz a lubrificação dos olhos, tornando-os mais vulneráveis a irritações mecânicas e infecções oportunistas.

O perigo dos colírios "clareadores" por conta própria

Outro costume perigoso é pingar colírios vasoconstritores — popularmente conhecidos como clareadores — assim que os olhos ficam avermelhados após a natação, corrida ou exposição ao sol. Esses medicamentos apenas contraem temporariamente os vasos sanguíneos da conjuntiva, mascarando quadros inflamatórios reais sem tratar a raiz do problema.

Além disso, o uso indiscriminado desses produtos pode provocar efeito rebote (fazendo o olho ficar ainda mais vermelho quando o efeito cessa) e aumentar a pressão intraocular em pessoas com predisposição.

Prevenção contra traumas mecânicos

Modalidades com bola em alta velocidade — a exemplo do beach tennis, tênis de quadra, squash e futevôlei —, assim como trilhas de ciclismo onde há galhos e insetos, impõem risco real de impacto físico direto nos olhos. O uso de óculos de proteção esportivos com lentes de policarbonato é a barreira mecânica mais segura para prevenir descolamentos de retina e contusões graves.

O Dr. Rodrigo Carvalho reforça que qualquer alteração brusca na qualidade da visão — como pontos pretos repentinos, flashes luminosos, dor aguda ou embaçamento que não desaparece — exige a interrupção imediata do treino e atendimento médico especializado.

Serviço

Dr. Rodrigo Carvalho é médico oftalmologista especialista em saúde ocular, prevenção e orientação para atletas e praticantes de atividades físicas ao ar livre.

(Fonte: AMZ Relações Públicas e Eventos)

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