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Rai do Paraíso lidera votos em Sumaré, mas falta de capilaridade regional custa vaga na Câmara

Vereador obteve 42,3 mil votos em Sumaré, concentrando 76% de seu apoio em uma única cidade; desempenho discreto em municípios vizinhos e votos dispersos em nomes de fora deixaram cadeira de deputado federal escapar.

3 min de leitura
Rai do Paraíso e apoiadores em campanha em Sumaré
Rai do Paraíso (Republicanos) saiu das urnas com 55.707 votos no Estado e terminou como suplente na Câmara dos Deputados

Rai do Paraíso (Republicanos) saiu das eleições com uma demonstração incontestável de força eleitoral dentro de Sumaré, mas também com uma lição sobre os limites de uma candidatura excessivamente concentrada em uma única cidade. O vereador recebeu 55.707 votos para deputado federal em todo o Estado de São Paulo, terminou como suplente e ficou a 35.983 votos da marca alcançada por Maria Rosas, última candidata eleita pelo Republicanos, com 91.690 votos.

Dentro de Sumaré, entretanto, Rai fez sua parte. Foram 42.328 votos, equivalentes a 30,55% dos votos válidos para deputado federal no município. O segundo colocado na cidade, Lucas Pavanato (PL), ficou distante, com 16.286 votos. Na sequência apareceram Erika Hilton (PSOL), com 7.702, Luiz Dalben (PSD), com 5.632, e Jonas Donizette (PSB), com 3.125.

A dispersão de votos conservadores

Quando o recorte é feito apenas entre candidatos de direita sem vínculo político direto com Sumaré, a quantidade de votos que deixou o município chama atenção. Pavanato recebeu 16.286 votos; Kim Kataguiri (Missão), 2.551; Delegado Bruno Lima (Podemos), 2.358; Sargento Nantes (PP), 1.894; Renato Bolsonaro (PL), 1.650; Altair Moraes (Republicanos), 1.270; Paulo Freire (PL), 823; Pastor Marco Feliciano (PL), 742; Delegado Palumbo (Podemos), 581; e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL), 577.

Somados, apenas esses dez nomes receberam mais de 28 mil votos em Sumaré. Embora não seja possível afirmar que todos esses eleitores migrariam automaticamente para Rai, os números evidenciam que havia um contingente significativo de votos conservadores que preferiu opções externas mesmo diante de um nome local competitivo.

A barreira fora das divisas

Ainda assim, atribuir o resultado somente aos votos dados a nomes externos esconderia a principal fragilidade da campanha. Dos 55.707 votos de Rai no Estado, 42.328 vieram exclusivamente de Sumaré — o que significa que aproximadamente 76% de toda a sua votação ficou concentrada no próprio município. Fora de sua base, o candidato conseguiu cerca de 13,4 mil votos espalhados pelo Estado, recebendo votos em 241 municípios, mas sendo o mais votado em apenas um.

Em Nova Odessa, Rai ainda alcançou a segunda posição, com 2.140 votos, enquanto Lucas Pavanato liderou a cidade com 6.147 votos. Em Hortolândia, município vizinho e conurbado a Sumaré, a dificuldade foi mais evidente: Pavanato foi o primeiro, com 20.541 votos, enquanto Rai obteve 2.596 votos, ficando na 11ª colocação.

O desempenho também foi reduzido em outros polos regionais: em Americana, Rai recebeu 693 votos (37ª posição), e em Santa Bárbara d’Oeste foram 283 votos (42ª posição).

O recado das urnas

Para o grupo político do prefeito Henrique do Paraíso, o resultado deixa dois recados claros. O primeiro é a incontestável capacidade de mobilização interna: ultrapassar 42 mil votos em uma eleição proporcional em Sumaré demonstra um fôlego eleitoral raro.

Segundo é um alerta estratégico: força municipal isolada não basta para eleger deputado federal. A cadeira escapou porque a campanha que se mostrou gigantesca dentro dos limites de Sumaré encontrou dificuldades para dialogar com os municípios vizinhos. Se a cidade pretende voltar a ter representação própria na Câmara Federal, a lição deixada pelas urnas é que é necessário transformar a força local no centro de uma articulação regional consolidada.

(Da Redação)

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