No Campinas Innovation Week, Nina Silva e FEAC defendem inovação com impacto social
Palestra da fundadora do Movimento Black Money e painel com lideranças da Fundação FEAC debatem inteligência artificial, crédito e superação das disparidades territoriais.

O avanço tecnológico, a inteligência artificial e os novos modelos de negócios só constroem futuros verdadeiramente sustentáveis quando colocam a superação das desigualdades socioeconômicas no centro da mesa. A reflexão pautou a participação da Fundação FEAC no Campinas Innovation Week (CIW), realizado no Prédio do Relógio, em Campinas, reunindo a executiva e fundadora do Movimento Black Money, Nina Silva, e lideranças do ecossistema social da região.
Considerada pela Forbes uma das 100 personalidades afrodescendentes mais influentes do mundo com menos de 40 anos, Nina Silva ministrou a palestra magna “Tecnologia, Impacto Social e Negócios do Futuro: a Força da Diversidade na Economia”, resgatando sua própria trajetória profissional como ex-moradora de Campinas, onde liderou a área de tecnologia da montadora Honda para a América do Sul.
Inteligência artificial e o valor da experiência humana
Durante sua apresentação, Nina destacou que o conceito contemporâneo de inovação não pode se limitar a resolver dores internas das corporações, mas deve enfrentar os gargalos reais da maioria da população. Ela alertou que a inteligência artificial, isoladamente, não produz inclusão por ser baseada exclusivamente em dados do passado.
“A máquina depende do nosso input, da nossa calibragem e dos nossos valores morais. Ela não viveu uma pandemia, não sentiu a escassez na pele e não vai se preocupar espontaneamente com a inclusão produtiva de grupos vulneráveis. Os robôs precisam trabalhar para nos dar tempo de trazer humanidade, criatividade e as nossas diferenças para a mesa”, pontuou a especialista.
A executiva apresentou indicadores econômicos que demonstram o custo do preconceito estrutural: embora pessoas negras representem mais da metade dos empreendedores brasileiros, barreiras de fomento drenam cerca de R$ 800 bilhões que deixam de circular no mercado anualmente. Citando levantamentos da consultoria McKinsey, Nina ressaltou que empresas com diversidade étnico-racial alcançam lucros até 33% superiores, defendendo o conceito de “inovabilidade” (tripé formado por inovação, viabilidade financeira e impacto socioambiental real).
Desafios territoriais e postura antirracista
O debate regional foi aprofundado por Lina Pimentel, diretora socioeducativa da Fundação FEAC, que traçou um raio-X das disparidades locais a partir dos registros do Cadastro Único (CadÚnico) em Campinas, onde cerca de 300 mil pessoas vivem em situação de vulnerabilidade, sendo quase metade composta por cidadãos negros.
“Em uma cidade com média de renda da população branca superior à nacional, a disparidade social ganha contornos ainda mais graves. Isso exige que o ecossistema de inovação assuma uma postura ativamente antirracista em todas as suas frentes de investimento”, apontou Lina.
No painel sobre transformação social, a diretora executiva da FEAC, Andrea Apponi, alertou para o risco de o mercado corporativo esvaziar a agenda de Diversidade e Inclusão (D&I) ao tratá-la apenas como ferramenta de marketing financeiro, sem democratizar o poder de decisão: “Campinas reúne universidades de ponta, centros de excelência e empresas globais. O grande desafio do nosso futuro é conectar essa potência de inovação às pessoas que mais precisam de oportunidade”, enfatizou.
(Fonte: Fundação FEAC / Verdelho Comunicação)
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