Hortolândia recupera nascente e transforma antigo aterro em espaço de preservação no Terras de Santa Maria
Prefeitura apresenta a Nascente nº 228 à população neste domingo (23) com plantio de 170 mudas e projeto de futuro parque socioambiental.

Hortolândia avança na recuperação de uma área no Parque Terras de Santa Maria, onde uma nascente antes classificada como descaracterizada passa a integrar um projeto de preservação e conscientização ambiental.
Neste domingo (23), a Prefeitura apresentará à população a Nascente nº 228, localizada na Rua Josélio Manuel da Silva. A atividade começa às 9h e integra o projeto “Conhecendo Nossas Nascentes”, desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Assuntos Climáticos.
Durante a ação, serão plantadas 170 mudas de espécies nativas. Os moradores também conhecerão a proposta para implantação de uma área de lazer e convivência no local, que deverá integrar o futuro Parque Socioambiental do Terras de Santa Maria.
Histórico e recuperação ambiental
A iniciativa ganha importância justamente pela história da área. No passado, o espaço foi utilizado como aterro de resíduos inertes da construção civil, atividade que, segundo a Prefeitura, foi licenciada e posteriormente encerrada pela Cetesb. Agora, o local passa por recuperação ambiental, incluindo a retirada de leucenas, espécie exótica e invasora.
É uma mudança significativa na relação da cidade com aquele território. Um espaço anteriormente utilizado para receber resíduos passa a ser tratado como patrimônio ambiental, conciliando recuperação da vegetação, proteção dos recursos hídricos e futura utilização pela própria comunidade.
Dinâmica hídrica e importância geológica
A Nascente nº 228 foi identificada em levantamento municipal realizado em 2021 e posteriormente classificada como “descaracterizada”, conforme a Lei Municipal nº 4.184/2023. Diferentemente da imagem tradicional de uma nascente, entretanto, a água não aflora de maneira visível naquele ponto.
Estudos geológicos identificaram a presença de água subterrânea e confirmaram a existência da nascente. Mesmo sem água aparente na superfície, o local possui importância para a dinâmica hídrica da região, contribuindo para processos como a recarga subterrânea e o equilíbrio ambiental.
Esse é justamente um dos méritos do projeto: mostrar que responsabilidade ambiental também exige conhecimento técnico e planejamento. Nem toda área ambientalmente relevante possui um rio facilmente identificável, árvores centenárias ou uma nascente brotando diante dos olhos. Parte da preservação ocorre justamente na proteção daquilo que passa despercebido pela população.
Engajamento comunitário e parques socioambientais
Com a intervenção no Terras de Santa Maria, Hortolândia chegará à quinta nascente revitalizada dentro do projeto “Conhecendo Nossas Nascentes”. A proposta busca identificar esses locais, promover sua recuperação e, principalmente, aproximá-los dos moradores.
Essa aproximação é fundamental. Uma política ambiental dificilmente será plenamente eficiente quando depende exclusivamente da fiscalização do poder público. Quando a população conhece uma nascente, entende sua importância e passa a enxergar aquela área como patrimônio do próprio bairro, cria-se também uma rede informal de proteção contra descarte irregular, ocupações inadequadas e novas degradações.
A secretária de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Assuntos Climáticos, Eliane Nascimento, destacou que a iniciativa busca justamente conciliar preservação e utilização responsável dos espaços públicos. Segundo ela, o projeto pretende conscientizar a população sobre a importância das nascentes para a manutenção dos recursos hídricos e para a qualidade de vida das futuras gerações.
A implantação de um parque socioambiental acrescenta ainda outro componente importante ao projeto. Preservação ambiental e desenvolvimento urbano não precisam ocupar lados opostos. Áreas verdes protegidas podem ser incorporadas à vida da cidade como espaços de lazer, educação ambiental e convivência, desde que sua utilização respeite as características naturais do território.
Em cidades cada vez mais urbanizadas, recuperar áreas degradadas, ampliar a vegetação nativa e proteger os recursos hídricos deixa de ser apenas uma pauta ambiental. São ações diretamente relacionadas à qualidade de vida, ao enfrentamento das mudanças climáticas e ao planejamento urbano.
Ao recuperar uma nascente em uma antiga área destinada a resíduos da construção civil e aproximá-la da comunidade, Hortolândia mostra um caminho positivo: áreas degradadas não precisam permanecer como herança permanente do crescimento urbano. Com planejamento, investimento e responsabilidade ambiental, podem voltar a cumprir uma função importante para a natureza e para a própria população.
(Da Redação)
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