Estudantes de escolas públicas de Campinas produzem curta-metragem sobre combate à violência contra a mulher
Cerca de 30 estudantes de escolas públicas de Campinas, com idades entre 13 e 17 anos, transformaram a conscientização sobre a violência contra a mulher em produção audiovisual. O resultado é o curta de ficção “Até Quando?”, produzido por integrantes da Academia Educar e liberado gratuitamente no YouTube para debates pedagógicos.

Narrativa ficcional e sinais de alerta
Cerca de 30 estudantes da rede pública de ensino de Campinas, com idades entre 13 e 17 anos, uniram aprendizado técnico e responsabilidade social para produzir o curta-metragem de ficção “Até Quando?”. A obra foi idealizada e executada por jovens da Academia Educar, programa da Fundação Educar voltado ao protagonismo juvenil, durante as férias escolares de julho, contando com o suporte técnico da produtora Lokomotiv Studio.
Com duração de seis minutos, a trama acompanha a história de Marcela, uma jovem que vivencia diferentes gradações de violência praticadas no círculo íntimo — por familiares, superiores no trabalho e conhecidos do bairro. A narrativa retrata agressões verbais, psicológicas e físicas que culminam em uma tentativa de feminicídio, buscando conscientizar o público para os sinais silenciosos que costumam anteceder crimes graves.
Para a atriz protagonista Lívia Louise Oliveira, de 14 anos, interpretar a personagem aproximou a ficção de uma urgência social cotidiana. “Foi desafiador viver isso em cena e refletir que esses conflitos acontecem de verdade todos os dias. O filme busca chamar a atenção justamente sobre como essas violações muitas vezes partem de pessoas próximas”, ressaltou a estudante.
Mostra 'Sapatos Vermelhos' e memória das vítimas na RMC
A primeira exibição do projeto, realizada em Campinas para um público de mais de 200 pessoas, foi acompanhada pela intervenção artística “Sapatos Vermelhos – Os Passos que Elas Deixaram de Dar”, articulada pelo movimento Promotora Legal Popular (PLP). A instalação reuniu 44 pares de calçados — muitos doados por familiares — em memória das mulheres vítimas de feminicídio na Região Metropolitana de Campinas.
Após a sessão, profissionais de saúde mental e a equipe do projeto integraram uma roda de conversa com a comunidade, enfatizando a importância de trabalhar o acolhimento a mulheres em vulnerabilidade e o engajamento direto de homens e meninos na desconstrução de comportamentos abusivos.
Audiovisual como instrumento de cidadania
Criado em 2009, o projeto Curta na Educar utiliza o fazer cinematográfico como ferramenta pedagógica para estimular a cidadania ativa entre os jovens. Em edições anteriores, os participantes já desenvolveram curtas sobre enfrentamento ao racismo, combate ao bullying escolar, sustentabilidade e preservação ambiental.
“Sabemos que um filme não resolve sozinho um problema estrutural e histórico, mas ele funciona como um poderoso disparador de diálogos dentro das escolas e nas famílias”, destacou Cristiane Stefanelli, gestora da Fundação Educar.
Acesso gratuito ao filme
O curta-metragem está disponível com acesso livre para exibição em projetos sociais, salas de aula e atividades comunitárias. O vídeo pode ser assistido no canal oficial da Fundação Educar no YouTube.
(Fonte: Boas Histórias Comunicação / Fundação Educar)
Comentários
Participe da conversa
Entre para comentar
Escolha Google ou receba um código no seu e-mail.




