Esclerose múltipla: sinais iniciais exigem atenção e avaliação médica
Alterações na visão, dormência, formigamento, fraqueza e dificuldade para caminhar podem ter várias causas e devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Uma pessoa jovem começa a enxergar embaçado de repente. Outra sente formigamento ou dormência em uma parte do corpo. Há quem perceba fraqueza em um braço ou uma perna, dificuldade para caminhar, perda de equilíbrio ou um cansaço intenso que não melhora mesmo depois de descansar.
Para muitas famílias, esses sinais podem parecer passageiros. Esse é um dos desafios da esclerose múltipla (EM): os primeiros sintomas nem sempre são facilmente reconhecidos.
A doença é neurológica, crônica e autoimune. Em termos simples, o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar estruturas do sistema nervoso, podendo prejudicar a comunicação entre o cérebro e diferentes partes do corpo. Estima-se que cerca de 40 mil pessoas convivam com a doença no Brasil.
Para a neurologista Carla Renata Aparecida Vieira Stella, que atua na área de neuroimunologia, a informação é uma das principais ferramentas para que a doença seja identificada mais cedo. “É importante que a família não ignore mudanças que aparecem de forma diferente do habitual, principalmente quando são sintomas neurológicos. Procurar atendimento médico é o primeiro passo para entender o que está acontecendo”, orienta.
Formigamento, visão embaçada e dificuldade para andar
Os sinais da esclerose múltipla podem variar de uma pessoa para outra. Entre eles estão alterações na visão, dormência ou formigamento, fraqueza muscular, dificuldade de equilíbrio e coordenação, fadiga intensa e alterações cognitivas ou emocionais.
Ter um desses sintomas não significa necessariamente ter esclerose múltipla. Muitas outras condições podem provocar manifestações semelhantes. Por isso, a recomendação é não tentar fazer o diagnóstico sozinho e procurar atendimento de saúde.
“Não é preciso saber o nome da doença para procurar ajuda. Se alguma coisa mudou no corpo e essa mudança não parece normal, converse com um profissional de saúde”, reforça Carla.
Onde procurar atendimento
Quem não tem condições de pagar uma consulta particular pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou outro serviço público disponível em sua cidade. Após a avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado para atendimento especializado, quando necessário.
O diagnóstico e o acompanhamento precoces são importantes porque existem tratamentos capazes de controlar a atividade da doença e reduzir o risco de novos episódios, sempre de acordo com a avaliação médica individual. O Ministério da Saúde reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Ciência e cuidado
Carla Stella participa de estudos científicos relacionados a doenças neurológicas e à neuroimunologia. Em 2016, foi coautora de um estudo internacional sobre casos de dengue em pessoas com esclerose múltipla que utilizavam medicamentos específicos.
Em 2023, participou de um estudo sobre um caso de esclerose múltipla progressiva com início na infância, desenvolvido por pesquisadores ligados à Divisão de Neuroimunologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O impacto na rotina da família
A médica também atua como diretora clínica da ACESA Capuava, organização que desenvolve atendimento multidisciplinar e ações voltadas a pessoas com deficiência e suas famílias.
“Quando falamos de uma doença crônica, não estamos falando apenas de um diagnóstico. Estamos falando de uma pessoa, de uma família e de uma rotina que pode mudar. O cuidador precisa olhar para todos esses aspectos”, destaca.
Um alerta para as famílias
Durante o Agosto Laranja, mês de conscientização sobre a esclerose múltipla, a principal mensagem é não ignorar sinais neurológicos novos.
Se alguém apresentar perda de visão, dormência, formigamento, fraqueza, dificuldade para caminhar ou problemas de equilíbrio, a orientação é procurar uma unidade de saúde. Reconhecer uma alteração e buscar avaliação profissional são os primeiros passos para investigar a causa e, quando necessário, ter acesso ao tratamento.
(Fonte: Dra. Carla Renata Aparecida Vieira Stella)
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