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Bom gosto na arquitetura vai muito além da moda e do valor das peças

Equilíbrio, proporção e histórias reais definem o bom gosto na arquitetura de interiores, segundo a arquiteta Isabella Nalon.

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Bom gosto na arquitetura vai muito além da moda e do valor das peças

O que faz uma casa ter bom gosto? A resposta está longe de caber em uma fórmula pronta. Enquanto uma pessoa se encanta pelo estilo clássico, outra prefere linhas minimalistas ou uma composição vibrante de cores e objetos. Para a arquiteta Isabella Nalon, o bom gosto surge quando as escolhas conversam entre si, respeitam a proporção do espaço e, principalmente, conseguem contar a história de quem vive no ambiente.

“O bom gosto é subjetivo, mas existe uma parte que conseguimos definir melhor, ligada à proporção, ao equilíbrio e à coerência”, explica a profissional.

Não existe receita pronta

Um ambiente pode seguir diferentes linguagens estéticas e ainda assim ser bem resolvido. O segredo está na forma como os elementos dialogam. Um projeto contemporâneo, por exemplo, pode acolher peças afetivas de família, assim como uma decoração clássica não precisa ser carregada para transmitir sofisticação.

Para Isabella, iluminação, materiais, mobiliário, obras de arte e objetos precisam estabelecer uma conversa contínua. “Não é o estilo que vai determinar se a pessoa tem bom gosto ou não, mas tudo o que foi construído dentro daquele espaço. Muda a linguagem e a história, mas o equilíbrio permanece”, destaca.

Hierarquia visual na composição

Um dos caminhos para alcançar harmonia visual é entender que nem todos os elementos precisam disputar atenção no cômodo. A arquiteta recomenda definir uma hierarquia visual clara, elegendo dois ou três itens como protagonistas e deixando os demais em camadas complementares e mais suaves ao redor deles.

A lógica se aplica a qualquer cômodo. Combinar pedras marcantes, marcenaria chamativa e peças de design volumosas no mesmo espaço pode sobrecarregar o conjunto. “Nem todo mundo pode ser protagonista no mesmo ambiente. É preciso ter equilíbrio”, pontua.

Sofisticação não depende de valor financeiro

Outro equívoco frequente é associar bom gosto e sofisticação exclusivamente a preços elevados. Uma peça cara não garante harmonia no projeto, enquanto um objeto simples e artesanal pode se tornar o ponto alto da composição quando inserido no contexto certo.

Segundo a arquiteta, materiais naturais e técnicas tradicionais conferem elegância sem exigir grandes investimentos. “O bom gosto não está relacionado ao quanto foi investido, mas ao processo consciente de escolha e ao propósito de cada peça no espaço”, avalia.

A casa como vivência real, não vitrine

Mais do que um conceito estético, a arquitetura de interiores lida com sentimento de pertencimento. Um ambiente visualmente impecável em fotografias perde o sentido se não tiver relação com a rotina e os sentimentos de quem mora nele.

Por isso, o desenvolvimento do projeto começa na escuta atenta e na observação de hábitos. “Às vezes o morador não sabe expressar com clareza o que sente, e as respostas aparecem nas entrelinhas. É preciso ouvir e observar muito”, explica. Dessa investigação nascem livros na estante, instrumentos musicais, móveis de família e cores que transformam o imóvel em um verdadeiro lar.

Áreas de respiro e valorização do vazio

Mesmo em projetos compactos ou com orçamento contido, a coerência visual continua sendo essencial. Isabella ressalta a importância de uma paleta de cores planejada, circulação fluida e áreas de respiro.

Deixar paredes ou cantos livres é também uma decisão deliberada de projeto. O espaço vazio permite que os olhos descansem e valoriza aquilo que foi selecionado.

Pesquisa, curadoria e tempo de implantação

Criar um lar acolhedor exige tempo, repertório e curadoria. A harmonia visual não resulta do acúmulo repentino de peças decorativas, mas de um processo contínuo de seleção.

“Quando observamos um espaço equilibrado, percebemos o cuidado, a narrativa, o repertório, o alinhamento das escolhas e o tempo dedicado à execução. São muitas camadas até alcançar o verdadeiro bom gosto”, conclui Isabella Nalon.

Serviço

Arquiteta Isabella Nalon
Site: isabellanalon.com
Instagram: @isabellanalon
YouTube: Isabella Nalon

(Fonte: dc33 Comunicação)

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